
Balzac disse um dia:
" o amor é a poesia dos sentidos. Quando existe, existe para todo o sempre e aumenta cada vez mais."Eu tenho a certeza que o Balzac não conheceu os meus vizinhos da frente, porque se os tivesse conhecido não andava a escrever babozeiras. Quando eram recém-casados pareciam dois coelhos, agora passados dez anos a única coisa que partilham é um ódio de morte um pelo outro.
Por mim defino o amor com a situação que o meu avô que já morreu sempre fazia questão de partilhar em cada vez que o tema da conversa era copos. Contava ele que certo dia acordou depois de uma noite com os amigos e que tinha apanhado tal tala que não se lembrava de nada. Ao levantar-se encontrou dois comprimidos para a dor de cabeça, e um bilhete que dizia : tens uma toalha lavada na cómoda e o almoço pronto para aquecer no forno, és o meu amorzinho lindo até logo...
O meu avô desceu à cozinha e perguntou ao meu tio porque estava a mãe dele toda contente, ao que ele respondeu:
O pai chegou a casa em ombros p'los seus amigos e não me reconheceu nem à mãe, andou a vomitar a casa toda e não se queria deitar sempre a perguntar quem eramos nos, a mãe cheia de paciência lá o levou para o quarto e quando lhe despiu as calças, o pai disse-lhe - Pára já aqui minha menina, tu és muito girinha mas eu sou um homem casado...
Cá para mim ele fazia isto de propósito, mas isto é que é amor :)